segunda-feira, 30 de maio de 2011

Naquela manhã, o Sol estava especialmente brilhante e quente. Parecia mais branco e o céu parecia mais azul. Era até difícil de olhar.
Enquanto saia da caverna que me servira de casa por cerca de dois ciclos da Lua, fui lembrando a razão de ter chegado a tal situação.
Reconstrução. Não era a reabilitação de um ser condenado pelos próprios demônios. Era a certeza do encontro da paz. E a encontrei. Voltei a minha inocência e agora estava pronto para chegar a meu destino.
A cidade ficava logo acima de mim, se movimentando. Sua estrutura de proporções faraônicas e estilo rústico ficavam em perfeita harmonia com a natureza que crescia ao redor. As rochas se fundindo com as paredes e a água que caia cerca de 250 côvados. em direção ao lago.
Aquele lago merecia um templo. Quando tudo estivesse acertado, eu iria providenciar que fosse construído um, com o mínimo de mudança na paisagem, mas com o máximo de beleza.
Naquele lago dava para ver algumas sombras no fundo se mexendo alegremente. Minha querida avó me dizia que eram as ondinas, espíritos aquáticos, que nutriam a cidade dos céus. Um presente de Deus, dizia ela.
o lago ficava num largo vale, envolto em formações rochosas e repleto de grutas que apreciam ter sido feitas para alguém habitá-las.
Enquanto me dirigia à água, apreciei a beleza daquele lugar. A enorme cachoeira formava uma névoa um tanto quanto densa e muito úmida em sua base. Seu toque em meu rosto me causava desejo de juntar-me à natureza, contribuir diretamente para toda aquela perfeição.
Entrei na água e fechei meus olhos, pedindo pela ajuda das ondinas, para que me levassem até o reservatório da cidade. Após alguns minutos esperando voltei à margem, da qual havia me afastado e sentei-me lá. Logo avistei um imponente animal há apenas alguns metros de distância, arranhando o chão. Um hipogrifo.
Aproximei-me dele, calmamente. Ao me ver o animal ergueu a cabeça. Era como se estivesse me esperando para iniciar uma conversa. Estendi a mão e afaguei seu pescoço, olhando-o com ternura nos olhos. Lentamente, passei a afagar suas costas e por certa pressão, para que ele entendesse que eu desejava montá-lo.
O animal cedeu, e ajustei-me em seu lombo. Ele correu e, quando içou voo, apenas guiei-lhe, transferindo o peso de meu corpo, de forma que ele sentisse o lado que eu desejava ir.

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