domingo, 21 de outubro de 2012

     Mente nebulosa e confusa... Era um sonho. Perturbante, daqueles que você quer se mexer, mas não consegue e luta pra acordar. Nele, um cadáver. Ele avançava em minha direção. Queria me atacar, me acusava de algo. 
     Eu sentia pavor. Um pavor que sou incapaz de descrever. Era acompanhado de culpa. Talvez isso tenha feito a sensação muito pior. A culpa nos aumenta o medo das consequências de nossos atos, porque criamos uma ideia do que merecemos, porém esperamos sempre que a punição seja além. Além é assustador.
     O cadáver avançava em minha direção, e eu estava deitado. Senti seu corpo gelado e rígido tombar sobre minhas pernas, de costas. 
     Eu bem desejei que o pavor ainda maior daquele peso frio prendendo minhas pernas tivesse durado apenas a fração de segundo que levei para acordar. Eu bem desejei. 
     Com o sobressalto percebi que minhas pernas realmente estavam presas por um peso gelado. Este peso estremecia violentamente. Meu sangue enregelou-se. Meu coração deve ter parado por um segundo. Aquele segundo em que as possibilidades passaram por minha mente. Ou possibilidade nenhuma passou. A iminência do desespero se instalou. Levantei-me e acendi a luz. O desespero tomou conta.
     - Pai!- gritei. Um aperto no peito. - Pai, acorda! Pai! - Chacoalhei-o. Suor frio. O cômodo exalava um hálito de morte. - PAI! - Senti meu palato vibrar com o grito. 
     Corri para o quarto ao lado. Porta trancada.
     - Mãe! Mãe!

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